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riscos_e_rabiscos

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Pepper no meio do granizo (take 1)

Sexta-feira, mais um dia de aulas, mais um final de semana. Comecei o meu dia normalmente, com as aulas dos meus pequeninos. Qundo chegou a altura dos maiorzitos, vejo uma grande “desarrumação” no recreio interior. Vejo pessoas estranhas à escola, vejo uma mesa montada no meio da sala, com toalha, pratos, talheres e copos. Mas para que seria aquilo?

 

Levei as minhas coisas para a sala dos professores onde tencionava trabalhar para adiantar algumas tarefas, e foi então que descobri que iria haver teatro! Senti-me a boiar num mar sem rumo…

 

Chegou à hora do teatro e eu fui perguntar à colegas que estavam a sair da sala se sabiam do espectáculo. Ninguém sabia, o director tinha-se esquecido de avisar! Humpf!

 

Acompanhei as crianças até ao espaço de recreio (o teatro dividia-se entre dois locais diferentes do recreio) e acomodámo-nos para ver a apresentação sobre o 25 de Abril.

 

Enquanto decorria a apresentação começa a chover e a trovejar com toda a intensidade. Já tinha miúdos a dizer-me que estavam com medo da trovoada. Eu própria tenho pavor mas, nestas ocasiões, está tudo muito bem controladinho, e acalmo as crianças. E o que valeu é que, apesar do teatro ser bastante fraquinho, tinha algumas partes de risota completa, o que causou alguns momentos de descompressão para os miúdos.

 

Assim que termina o teatro, sente-se um repentino arrefecimento de temperatura e começa a cair granizo. É claro que foi uma festa para os miúdos! Comecei logo a ouvir “está a nevar”! E apesar de estarmos num recreio coberto, com a força com que o granizo caia, algumas pedrinhas entraram para o espaço de recreio. Escusado será dizer que os miúdos concentraram-se aos magotes junto das pedrinhas para as apanharem. Aquele contacto com as pedrinhas de gelo – que pareciam berlindes – soube-lhes melhor do que pizza e gelado.

 

Fui para a sala dar aulas, e o fenómeno atmosférico adensa-se. Os miúdos começam a ficar brancos e apreensivos. Era cada trovão e relâmpago que até nos fazia dar saltos. É claro que a concentração dos miúdos estava na janela e não no que eu lhe dizia.

 

Tentei mais uma vez criar um ponto de descompressão e lembrei-me de lhes dizer que, para sabermos a que distância está a trovoada, temos de contar os segundos entre o relâmpago e o trovão, sendo que um segundo equivale a um kilómetro. Nem vale a pena dizer que “estraguei” o resto da aula, não é? Fique com a turma toda em suspensão, à espera de ver os relâmpagos para contar os segundos até ao trovão aparecer e ver a que distância estava!

 

Com o final da aula, a tempestade também acalmou e eu aproveitei para sair da escola o mais rápido possível. Mas sabia eu o que me esperava…